ATENÇÃO COM A ÁGUA POTÁVEL QUE VOCÊ ESTÁ ADQUIRINDO, SAIBA COMO RECONHECER IRREGULARIDADES.

O abastecimento de água tem sido uma grande preocupação para os municípios em geral, principalmente nos momentos de estiagem. Diante da  seca que as regiões enfrentam,  segundo a Defesa Civil de SC, muitas cidades recorrem a planos de calamidade, a fim de evitar o comprometimento total dos recursos hídricos. A iniciativa privada também contabiliza perdas, principalmente nos setores agrícolas e industriais. Para contornar a crise, muitas empresas, condomínios e até pessoas físicas optam pela contratação de abastecimento por caminhões-pipa. Mas, o que às vezes passa despercebido, é que quando se faz necessário a contratação desse serviço, é muito importante estar atento as regularizações do fornecedor.

De acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada RDC Nº 91, da Anvisa, água potável é toda aquela que “atende ao padrão de potabilidade estabelecido em legislação específica e que não ofereça riscos à saúde”. Para a prestação desse serviço, a fornecedora deve seguir uma série de critérios rígidos de qualidade, como manter a água potável em conformidade com padrão microbiológico, estar com as licenças de outorga em dia, além de respeitar todas as normas e cuidados com o veículo de abastecimento, como manter visível a inscrição “água potável” no caminhão e garantir que o mesmo seja utilizado somente para o transporte desse recurso.

Acontece que, segundo a Vigilância Sanitária de Santa Catarina, há muitas empresas no mercado que não trabalham em conformidade com as atuais leis vigentes no país. No último ano, foi apurado que 40 empresas que atual no litoral do estado não estariam totalmente em conformidade com as regras, enquanto apenas 3 empresas estariam trabalhando de maneira 100% legal.

Para Carlos Alexandre Marconcini, diretor administrativo da Só Água Potável, uma das poucas empresas da região a seguir todos os protocolos, é fundamental que os contratantes estejam atentos a possíveis prestadores de serviços irregulares. “A contratação de uma empresa de transporte e abastecimento de água irregular pode causar inúmeros malefícios para a saúde. Já presenciamos, por exemplo, caminhões de limpa-fossa, produtos químicos e até de soda cáustica fazendo entrega de água! Já imaginou o problema que isso pode causar para as pessoas que, depois, vão utilizar dessa água?”, desabafa.

Carlos Alexandre ainda alerta sobre os golpes que estão acontecendo na região. “Há um tempo fui atender uma cliente nova. Ela disse que comprava cargas d´água de caminhões-pipa de outra empresa, mas que por falta de disponibilidade, não conseguiu para aquela data. Questionou os nossos valores para uma entrega de 10 mil litros, alegando que a concorrente tinha um preço bem mais em conta. Ao chegar no local para fazer o abastecimento da água descobri o motivo e ela se espantou: a caixa d’água dela tinha capacidade para apenas 6 mil litros. Estavam entregando menos água do que anunciavam”, revela.

As secretarias de saúde municipais, responsáveis pela fiscalização de serviços de transporte e abastecimento de água potável, recomendam que a população preste muita atenção aos indícios de práticas ilegais e exija todas as documentações da prestadora de serviço na hora da entrega. A medida se faz necessária pois ainda não é possível ter controle total sobre a atividade no estado.

 

Saiba identificar uma entrega de água “potável” irregular

Em todos os caminhões-pipa que fazem entregas de água potável deve haver um letreiro escrito “Água Potável” no tanque, além do endereço e telefone do responsável pela prestação do serviço. Caso não apresente, a empresa já está trabalhando de maneira irregular. Caminhões pipa sem identificação podem acabar prestando outros tipos de serviço, como limpa-fossa ou transporte de produtos químicos, então recuse antes mesmo de iniciar o abastecimento.

O cliente também tem o direito de exigir ao motorista todos os documentos que atestem a qualidade do produto entregue. Ele deve possuir em mãos os registros de análises de água e a quantidade mínima de cloro exigida por lei. Carlos Alexandre revela uma orientação que passa aos motoristas da Só Água Potável: “para que o cliente possa ter certeza que a água potável que entregamos é de qualidade e própria para consumo, eu instruo os meus funcionários a beberem a água do próprio caminhão-pipa na hora da entrega, caso essa seja a vontade do cliente. Assim ele tem certeza de que está comprando um produto que não vai causar malefícios a sua saúde”. Ele ainda sugere: “essa prática poderia se tornar uma obrigatoriedade entre todas as empresas do setor”, comenta.

Por último, se você constatar qualquer irregularidade na entrega de uma carga de água potável, é seu direito recusá-la, além de denunciar a Secretaria da Saúde do seu município.

 

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