Balneário Camboriú precisa de novas medidas para despoluir Rio Marambaia

Despoluir o Rio Marambaia, que desagua na ponta norte da praia de Balneário Camboriú, já é um sonho dos moradores locais há muito tempo. O histórico de poluição no principal rio do município já é uma pauta conhecida desde a década de 1980, quando a paisagem da cidade de Balneário Camboriú que conhecemos hoje começou a tomar forma, com o início das construções dos grandes arranha-céus as margens da praia. Desde o último ano, as Prefeituras Municipais de Balneário Camboriú e Camboriú planejam medidas para reverter o gravíssimo estado de poluição em que o rio se encontra. A união e mútua colaboração dos dois municípios no projeto tende a trazer retornos positivos para o cenário do canto esquerdo da praia central. No entanto, ainda faltam esforços.

A responsabilidade ambiental de maneira individual de cada morador é o primeiro passo para reverter o quadro em que o rio se encontra. É necessário verificar se o esgoto de cada residência está devidamente instalado ao saneamento do município, já que o rio passa por de baixo de boa parte da cidade, e muitos moradores nem mesmo sabem que estão poluindo o rio. De maneira coletiva, já existem iniciativas que fomentam a revitalização desse importante cenário, que um dia já foi um dos principais cartões-postais de Balneário Camboriú.

A empresa de abastecimento de água Só Água Potável, referência em Santa Catarina e Paraná, é um dos exemplos de iniciativas privadas que podem fazer a diferença nessa empreitada, como conta Carlos Alexandre Marconcini, diretor administrativo da empresa: “todo tipo de ação é necessária, seja como indivíduo, cuidado do saneamento da sua residência, ou como coletivo, promovendo e fomentando iniciativas de despoluição. A poluição de um rio é responsabilidade de todos. Pretendemos procurar maneiras alternativas de colaborar com esse objetivo”. Ele contou, ainda, sobre sua missão pessoal e como empreendedor: “quando fundamos a Só Água Potável, um dos meus maiores sonhos sempre foi colaborar com iniciativas ambientais, principalmente com a despoluição de rios. Penso que, assim como a água de qualidade que fornecemos, é essencial termos esse bem preservado na natureza, afinal é um dos bens mais preciosos que possuímos”, revela.

O Movimento Rio Marambaia Limpo é outra figura de destaque nessa empreitada. Através de uma página no Facebook (www.facebook.com/riomarambaialimpo), os administradores postam atualizações sobre o estado em que o rio se encontra, além de postarem informações, críticas e sugestões para os gestores do município.

 

O que já está sendo feito

Desde 2018, a Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa), através do Programa Se Liga na Rede, vem realizando inspeções nas residências as margens do Rio Marambaia, a procura de ligações irregulares. O programa já identificou mais de 2500 ligações irregulares desde a sua implementação. Além disso, a Emasa também está implementando uma nova rede de esgoto e fazendo teste com nanobolhas para melhorar a oxigenação da água do rio.

Em 2019, a convite do prefeito de Balneário Camboriú Fabrício Oliveira (PSB), as prefeituras municipais de Balneário Camboriú e Camboriú formalizaram uma parceria com o intuito de minimizar os danos ao Rio Marambaia. Acontece que boa parte da poluição que chega em Balneário Camboriú tem origem no município vizinho, onde está localizada a foz do rio. A ideia é executar a rede de esgoto em Camboriú, tendo em vista que o município ainda não tem saneamento.

Ainda no ano passado, a prefeitura de Balneário Camboriú apresentou uma proposta de apertar fiscalização e aumentar punição para residências que não tiverem o esgoto ligado adequadamente a rede. Entre as medidas, um dos itens tornaria obrigatório a apresentação de uma declaração de regularidade de todos os edifícios do município. Proposta ainda não entrou em vigor.

 

História do Rio Marambaia

As águas do Rio Marambaia nem sempre possuíram a coloração que conhecemos hoje, assim como seu tamanho não se fazia tão pequeno como é hoje. Até a década de 1970, ele era um rio navegável e um importante aliado da economia e cotidiano do município, como conta o ex-diretor da Defesa Civil de BC, João Passos: “as pessoas pescavam, nadavam e toda região central de Balneário Camboriú, de alguma maneira, ou outra, eram influenciadas por ele”.

Foi na década de 1980, quando aconteceu o “boom” da construção civil no município, que o cenário do Rio Marambaia começou a se modificar. O que antes era um grande rio, que em parte tinha aspectos de uma lagoa, começou a ser reprimido pelos grandes arranha-céus que cobriram o horizonte. Boa parte das suas ramificações foram completamente aterradas. A maior parte do que restou hoje passa por galerias cobertas debaixo da terra. Está preso entre as grandes construções.

 

Fotos:

Molhe do Pontal Norte, onde desagua o Rio Marambaia. Fonte: Guilherme Anselmo via Google Maps.

 

Rio Marambaia em Balneário Camboriú na década de 1960. Fonte: veiculação no WhatsApp, por meio de Aderbal Machado.

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